O sentimento de revolta também era evidente. Gritos de ''justiça'' foram entoados pelos amigos, que rezaram e aplaudiram o surfista mais uma vez. Surfistas como Alejo Muniz e Mineirinho acompanharam as despedidas. A mãe de Ricardinho, Luciane, voltou a se emocionar muito.
- Teve que morrer para que a gente possa ter justiça - lamentou a mãe do atleta.
Ricardinho passou por quatro cirurgias no Hospital Regional de São José, mas perdeu muito sangue e não resistiu aos múltiplos ferimentos.
- Meu neto me chamava de pai. Que Deus te proteja e te dê uma prancha. Você vai ganhar um presente muito grande bom onde você está - disse o avô, Nicolau, que estava com Ricardinho no momento do crime.
Ainda nesta quarta-feira, acontecerá uma homenagem organizada pela Federação Catarinense de Surfe em parceria com a Associação de Surfe da Guarda do Embaú, às 18 horas, na praia onde o surfista vivia.
Na manhã da última segunda-feira, Ricardinho e o avô, Nicolau dos Santos, faziam uma obra em casa, na Guarda do Embaú. O carro do PM Luiz Brentano, que é de Joinville e estava de folga, teria parado em cima de um cano em frente à casa do surfista. O parente pediu para que os dois homens retirassem o carro do local para que o reparo no cano pudesse ser feito. O policial teria se negado, e Ricardinho foi tirar satisfações, levando três tiros no tórax e abdômen.
O surfista foi levado ao hospital pelo helicóptero do Corpo de Bombeiros e deu entrada consciente. Ele sofreu com as hemorragias, passou por quatro cirurgias, ficou na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), mas não conseguiu reagir ao tratamento.
O quarto procedimento cirúrgico de Ricardinho foi encerrado no final da manhã desta terça. O corpo médico conseguiu conter nova hemorragia, que havia surgido de manhã, e o surfista foi encaminhado novamente para a UTI. No entanto, mais uma vez, ele voltou a sofrer com sangramentos internos e sofreu uma parada cardíaca. A mãe Luciene dos Santos, e a namorada, Karoline Esser, foram chamadas para o interior do hospital e voltaram chorando após receberem a notícia do falecimento.